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O primeiro dia de competições nas Olimpíadas dos Transplantados – Por Rodrigo Machado

Finalmente o dia 28/06/2017 chegou e num lindo dia de verão, calor e céu azul em Málaga. Estava perfeito para uma competição de natação.

Café da manhã leve e já estava dentro d’água fazendo o aquecimento às 8 horas, pois as eliminatórias e finais eram todas na sequência a partir das 9 horas em ponto. Devido algumas ausências, o cronograma da competição foi alterado em cima da hora e algumas provas foram direto para as finais, fazendo com que economizasse energia e entrasse na piscina apenas 4 vezes nesse primeiro dia.

A primeira foi a eliminatória dos 50 costas, e antes mesmo de entrar na água, no momento do balizamento, conheci um nadador britânico, Ran Pulik, até então detentor de 6 recordes mundiais em 2 categorias e em piscinas longa e curta, simplesmente, uma lenda da natação nos WTG e um dos nomes que mais lia nas tabelas de tempos nos dois meses de preparação para os Jogos.

Mesmo com meu inglês péssimo, me apresentei a ele e disse que ele era um exemplo pra mim, um verdadeiro campeão e já começamos uma bela amizade. Na sequência foi o momento da primeira eliminatória, e passei com o segundo melhor tempo e objetivo alcançado para a final.

Em seguida, no balizamento das eliminatórias dos 100 livre, tivemos algumas desistências no momento da prova e com isso, já nadamos direto valendo a final. Pra mim a prova com menor chance de resultado, mas após uma volta rápida nos 50 metros finais, veio o tempo abaixo do esperado e a primeira medalha, e de ouro. Uma grande surpresa e alegria. Acredite, já era Campeão do Mundo!!!

Com 1 hora de descanso, cai na água para a final dos 200 livre. Comecei muito forte, mas nos 25 metros finais, na nossa linguagem, “quebrei” e fui ultrapassado pelo amigo Juan Contreras, mexicano que ficou com o ouro, e eu com o segundo lugar e agora uma medalha de prata. Mais uma alegria enorme, 2 medalhas nas provas que eu menos esperava.

Faltava a final dos 50 costas, a prova que desde o início da preparação era a minha mais forte. Mesmo sabendo que o tempo do primeiro colocado nas eliminatórias foi muito forte, estava confiante em repetir minha marca, o que já me fazia feliz. Como tínhamos quase 2 horas até a prova, fui alongar e depois aquecer na piscina anexa do conjunto acuático Inacua e lá conheci mais uma lenda dos WTG, meu “brother” americano Matthew Castle. Ele era detentor de 3 recordes mundiais e havia ganho 5 medalhas de ouro na última edição. Novamente com o meu péssimo inglês, fiz uma grande amizade com ele, amizade essa que carrego até hoje em algumas mensagens.

Voltando na final dos 50 costas, mesmo com o segundo melhor tempo nas eliminatórias, já havia nadado abaixo do antigo recorde mundial da categoria e na final melhorei ainda mais o meu tempo. O índice técnico foi tão bom que os 3 medalhistas conseguiram nadar abaixo do recorde das edições anteriores, e fiquei em segundo lugar, fechando o dia com incríveis 3 medalhas e nadando todas as 3 provas abaixo dos tempos pré-estabelecidos no início dos treinamentos.

As medalhas foram importantes, uma recompensa, mas ter conseguido melhorar meu tempo e bater meu objetivo, isso foi muito melhor.

Que venha o segundo dia de competições!!!

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