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Meu primeiro triathlon – Por Priscila Pignolatti

Um dia resolvi construir uma triatleta. Transplantada há exatos 5 meses as dúvidas vieram instantaneamente na minha cabeça: Como começar? O que preciso? Quem pode me ajudar? Bom, anos trabalhando com planejamento só poderiam vir a meu favor e me ajudar a organizar as ideias iniciais, planejar os primeiros passos, setar metas tangíveis, fazer orçamento, criar objetivos a longo prazo e por aí vai. Esta foi a parte lógica do processo. Mas, daí veio uma questão que não tinha nada de lógica: Será que consigo? E só havia um jeito de saber, TENTANDO!

E iniciei pela Corrida, algo que jamais havia feito na vida. Percorrer 5K correndo era o objetivo, não importava o tempo e com calma fui progredindo, sem pular etapas, sem pressa. Caminhando no início, intercalando corrida e caminhada no meio e ao final de 3 meses, lá estava eu na minha 1ª prova de 5K a qual concluí com êxito e imenso prazer. Mas, a vida é feita de desafios, então, bora para o próximo?!?

E fui… e adicionei a Natação na minha rotina de treinos. Embora a Natação já fosse um esporte que aprendi quando criança e sempre surgiu na minha vida no decorrer dos anos, nunca havia feito para competir, e em águas abertas então?!? Jamais havia cogitado! Engraçado que no final dos meus dias de “pré-transplante”, a Natação fazia parte da minha. E eu não conseguia nadar mais do que 700 metros em uma aula de 45 min tamanha era a falta de energia. E logo no meu 1º dia de treino 7 meses “pós-transplante” o que aconteceu?
Mandei 1500 metros numa aula teste. Uau!!! Quanta diferença!!! O que um rim novinho em folha não pode fazer por uma pessoa, não é mesmo?!? Pronto! Mais uma atividade incluída treinos. E… qual o próximo desafio?

Então lá veio ela entrando na minha vida… a magrela! Nunca havia subido em uma bike Speed antes. Mas novamente lá estava eu pronta para mais uma superação. Lembro que descer uma rua, só bem devagar. Tinha medo da velocidade, mas afirmo que nada melhor do que um dia após o outro, um treino após o outro e várias repetições para você ir perdendo o medo e ganhando confiança. Mas confesso que ainda continua sendo um desafio saber manter o giro nas subidas, aliar técnica e força e vários outros detalhes que só muito treino de Ciclismo poderá me ajudar a melhorar. E assim terminei 2017 treinando os 3 esportes em separado e até então estava bem encaminhada para participar das Olimpíadas dos Transplantados que irá acontecer em 2019 na Inglaterra, cujo Triathlon é virtual onde cada modalidade é disputada em dias separados. Mas, lembram-se daquela história do desafio que falei? Pois é, adoro um! Então resolvi misturar tudo e participar de provas convencionais do Triathlon cujas modalidades são realizadas na sequência e defini meu 1º desafio: a 1ª etapa do Triday Series, modalidade Sprint: 750m de Natação + 20K de Ciclismo + 5K de Corrida.

Tempo para preparação? 3 meses. Iniciei os treinos direcionados para o Triathlon em Janeiro/2018 e a prova marcada para Março/2018. Daria tempo? Eu não tinha dúvidas que sim. E assim entrei numa rotina de treinos 6x por semana sempre sob orientação profissional esportiva, médica e nutricional, mesclando as 3 modalidades – na maioria dos dias mesclando mais do que uma modalidade por dia e mais treinos de fortalecimento muscular (é muito importante fortalecer a musculatura para evitar lesões e, com isto, seu corpo aguentar a carga de treinos) incluindo treinos simulados e natação na represa onde aconteceria a prova.

E o dia da prova veio! Estava muito tranquila, sabia o que fazer. Meus objetivos estavam claros: Completar a prova, não ser punida durante a prova, estar dentro dos tempos de corte. Mas já na largada da Natação senti um desespero com aquele tanto de gente nadando ao meu redor, batendo em mim e eu não conseguia respirar para nenhum dos lados e nem para frente por conta da marola feita pelas outras nadadoras. O coração veio para garganta, olhei para o barco de apoio e pensei: vou desistir! Este pensamento negativo durou 1 segundo. Parei, olhei para frente e disse para mim mesma: eu sei, eu treinei, eu consigo fazer isso e segui adiante.

Depois disso o pensamento da desistência não teve mais lugar na minha mente, nem quando no Ciclismo o vento contra resolveu vir com força total e muito menos quando estava na Corrida e tinha um longo caminho de subida para fazer, mas isso só me fez tirar aquela força de dentro para ir em frente. Lembro nitidamente que no último KM da corrida, olhei para aquele céu azul lindo e agradeci! Objetivo alcançado! Felicidade plena! Mas não posso dizer que foi fácil. Não posso mentir e dizer que é tranquilo acordar nas madrugadas. Nem deixar de confirmar que não pensei em desistir no meio daquele treino de tiro. E muito menos não posso deixar de dizer que me questionei um milhão de vezes no meio dos treinos longos de transição por que eu estava fazendo todo aquele esforço físico.

Mas, sempre ao final de cada treino ou simulado, vem a endorfina e proporciona aquela sensação de bem estar e conforto me dando a resposta de que sim, está valendo a pena. E, além disto, como consequência e principal retorno positivo, vem a saúde que tudo isto está
trazendo para o meu corpo tornando-se um melhor “recipiente” para o órgão que recebi do meu irmão. Isto se chama qualidade de vida.

Pois é, então agora vocês já conhecem o meu novo eu, Priscilla Pignolatti, transplantada renal e triatleta!

E sobre os desafios que você tanto falou, Priscilla? Pois é, sigo com eles, a gente se vê no Troféu Brasil de Triathlon… Agora vou é para o MAR!

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