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ATLETA, DIABÉTICO E TRANSPLANTADO (Dia Mundial do Diabetes) – Por Ray Guatura

Hoje, 14 de Novembro, Dia Mundial do Diabetes, venho falar aos nossos seguidores do Soudoador.org sobre esse “problema” crônico que me acompanha há quase 20 anos, e nesse período tenho algumas experiências e conselhos para dividir com todos.

Mas em especial, venho falar sobre o papel do esporte para a qualidade de vida do diabético.
É praticamente impossível ser um diabético e não seguir este pilar dos esportes para o controle e qualidade de vida adequados ao diabético, mas é claro, com alguns cuidados, dentre os quais, alimentação adequada aliada as práticas físicas.

Descobri o diabetes aos 9 anos de idade. E nessa época, eu já me aventurava em alguns esportes, como o caratê e o futsal, que aos poucos foram se tornando algo difícil e complicado de ser feito, a partir do momento que comecei a me cansar naquelas atividades. Estava me tornando uma criança muito cansada e cheia de dores nos membros inferiores.

Alguns anos depois da descoberta e a inserção do tratamento com insulina e dietas baixas em carboidratos e evitando doces, voltei a me exercitar, e na adolescência coloquei práticas de musculação, mountain bike e corridas de rua em minha rotina como atleta diabético, e foram ai que começaram as crises ou “vacilos” junto as atividades físicas.
Abro aqui um parágrafo para falarmos sobre insulina. Se trata de um hormônio produzido pelo pâncreas que controla os níveis de açúcar (glicose) no corpo. Pessoas com diabetes tipo 1, que é o meu caso, não produzimos insulina, já no tipo 2 o corpo produz o hormônio, porem, não usa a insulina de forma adequada e a diabetes pode estar associada a hereditariedade ou hábitos de vida pouco saudáveis.

E isso pode parecer muito simples hoje que a informação é de fácil acesso a todos, mas eu descobri diabetes no final dos anos 90, e naquela época pouco se falava em diabetes e acesso a internet ainda era escasso! O primeiro transplante de pâncreas ainda estava vindo a ser realizado naqueles anos com a promessa de tratamento ou “cura” para alguns diabéticos no Brasil.

Passei por algumas crises de hipoglicemias em locais distantes de casa, e algumas vezes até sozinho, e passei a entender o efeito da insulina no meu corpo e como deveria estar preparado com alimentação nessas aventuras esportivas. Foi ai que passei a andar sempre com a mochila cheia de doces e alimentos os quais me levassem de 30mg/dl a 120mg/dl ou mais de glicemia. E acreditem, eu não tinha uma glicosimetro também, e passei a carregar um 10 anos depois da descoberta do diabetes em minha vida. E como que eu controlava o diabetes? Como sabia como estava de glicemia? Era no instinto, estava a cada três meses junto ao endocrinologista fazendo testes e exames que seguiam bem. Porém, antes do transplante posso dizer que era uma aventura entre hipoglicemias e hiperglicemias, e na maior parte dos momentos pós atividades físicas.

Aprendi muito nestes anos, então o meu conselho hoje a você, atleta diabético, ou praticante de atividades físicas é que se prepare para essa aventura e NUNCA deixe de se exercitar!

Siga as orientações SEMPRE de um profissional de educação física, e nunca deixe de informar ao seu médico endocrinologista a sua rotina de atividades físicas e os efeitos do esporte em sua vida. Respeite as orientações dos profissionais e principalmente os sinais do seu corpo. Se você é diabético e não se exercita, só praticando algum esporte, esquentando o corpo e o sangue para entender os efeitos do esporte em sua vida como diabético.

Aqui compartilho alguns dados que podem ser evitados através de boas práticas aliadas aos esportes e alimentação saudável:

• Doenças cardiovasculares são a principal causa de óbitos em pacientes diabéticos;
• Infartos, acidente vascular, cegueira e amputações são complicações que podem acometer pacientes diabéticos descontrolados;
• Mundialmente, em média, pessoas com diabetes têm o dobro de gastos médicos sendo 42% destinados ao tratamento de doenças cardiovasculares;
• O Brasil ocupa a quarta posição com 13 milhões de pessoas com diabetes no mundo;
• Doenças cardiovasculares em diabéticos levam a óbito mais que HIV, tuberculose e o câncer de mama na população mundial;
• O diabetes tipo 2, entre outros fatores conta com incidência genética e em 90% dos casos acomete as pessoas acima dos 45 anos;
• Pessoas diabéticas podem consumir açúcar. A palavra chave do consumo é moderação. O açúcar pode elevar os níveis de glicose no sangue em um patamar maior do que o corpo tem condições de absorver. É fundamental monitorar os níveis de glicose e ler os rótulos para não consumir açúcar despercebidamente;
• Para manter o nível de açúcar no sangue (glicemia) controlados e conseqüentemente o bom funcionamento do coração, é preciso que o paciente se exercite regularmente, tenha uma dieta balanceada e evite o tabagismo, e claro, consultar seu médico regularmente.

Ande preparado com alimentos que elevem a sua glicemia e te tirem de uma possível hipoglicemia nas práticas esportivas. E ande preparado com a sua carteira de medicamentos para hiperglicemias também. É a sua vida!

Posso dizer como todo diabético que já cometi os meus erros com a doença, porém, aprendi como me cuidar. Em 2015 vim ter falência renal como conseqüência do diabetes e passei um ano em hemodiálise; Em Fevereiro/2016 realizei o meu transplante de pâncreas e rim, resolvendo a insuficiência renal crônica e o diabetes, graças a Deus e a doação de órgãos de uma família e de um doador que manifestou em vida o seu desejo de salvar outras vidas, a sua família.

No mais, se divirta e cuide de sua saúde! Você tem apenas uma vida e a diabetes não é um bicho de sete cabeças. Se alimentando corretamente e praticando atividades físicas, é possível viver por longos anos com diabetes tendo a maior e mais saudável das rotinas de vida.

Rayrond Guatura – Transplantado Duplo (Pâncreas/Rim).

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