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VIVENDO NOVOS SONHOS APÓS O TRANSPLANTE – Por Ramon Pinheiro Lima.

Gratidão, somente essa palavra vem a minha cabeça, vontade de gritar e agradecer ao mundo, gritar bem alto para que todos ouçam “obrigado”. Começo agradecendo, pois, ao parar e olhar minha vida, vejo como sempre fui feliz e não percebia. Desde que nasci tenho uma vida abençoada. Cresci em uma casa cheia de amor e alegria, cercado por familiares amorosos e vívidos, pessoas que se dedicaram para que hoje eu seja quem sou.

Cresci cercado de esporte e de liberdade para explorar meus limites, e os limites esportivos nunca foram questionados, talvez por isso tenha escolhido a Educação Física como profissão. Todos nós temos frustrações e não ser atleta é uma das minhas, mas tudo bem, porque a Educação Física conseguiu suprir isso durante todos esses anos.

Quando descobri a doença nos rins pensei: “Ah, é início, vai levar tantos anos para acontecer alguma coisa, vamos viver”. E estar estudando fora com minha esposa ao meu lado foi o combustível para aproveitar cada oportunidade que aparecia. Durante anos não pensei muito na doença, segui vivendo, tratando, mas sem muitas preocupações. Claro que a doença avançou, mas antes veio o primeiro presente, minha filha, e não satisfeito, veio a segunda filha. Nesse ponto, já havia certa preocupação e continuamos monitorando a doença.

Sempre acompanhei minha mãe em consultas e exames, afinal ela também teve uma doença renal. Então, já estava relativamente acostumado com tudo isso, mas quando é com você a coisa é diferente. A essa altura falava-se em transplante e, não demorou muito, chegou o momento de inscrever-me no cadastro de pessoas para receber um órgão e alterar o tratamento, passar a fazer Diálise Peritoneal. Nesse período, já não estava trabalhando, não conseguia mais, sentia muito cansaço, estava muito inchado pela retenção de líquidos e pelo uso de corticoides. Não dar aula foi uma realidade bem difícil de encarar, mas logo nos acostumamos.

A diálise me proporcionou qualidade de vida, tinha até a sensação de que poderia passar anos e anos daquele jeito. E estava tão bem que voltei a fazer uma coisa que amava e havia parado porque não tinha mais forças, correr. E foi tão bom voltar a sentir o prazer do corpo cansado, porém, ao mesmo tempo relaxado; a sensação de superação, que logo deu lugar ao desejo de competir que ardia dentro de mim. Em meio a treinos, corridas e diálise, recebo uma ligação do meu médico dizendo que havia um rim pra mim, mas eu ainda era o oitavo da fila, mas valia a pena, segundo ele, testar.

Era um sábado e lá fomos de mala e “cuia” para o hospital fazer os testes. A ansiedade tomou conta de nós. Quando chegamos, a enfermeira disse-nos que o rim era meu, que houveram pessoas que não quiseram ou não havia compatibilidade, então, eu deveria ir para o quarto começar a preparação para o transplante. Eu e minha esposa ficamos meio atordoados, sem saber o que dizer um para o outro.

Hoje, 46 dias depois, estou aqui me recuperando do transplante, sentindo-me muito bem e cheio de planos para o futuro. Quis o destino que eu nascesse novamente em um dia 19, 19/01 e 19/09, nem os mais céticos podem ignorar esses números.

Sobre o futuro… bem no futuro já me vejo correndo novamente, quem sabe acabando com a frustração do passado e me tornando um atleta transplantado, esse é um dos planos, mas o maior deles é, sem dúvida, aproveitar a vida, cada momento que ela apresentar-me, cada dia com a minha família e agradecer de todas as formas e a todas as pessoas, viver, e viver intensamente.

Obrigado!

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