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RESPIRAR FUNDO E FORTE- Por Marindia Cecchetti Lahm

Quando eu tinha 29 anos de idade, eu estava cansada, meus pulmões já não trabalhavam como antes devido às repetidas infecções pulmonares e a própria condição da doença Fibrose Cística. Me encontrava apenas com 27% de capacidade pulmonar.

Devido a esta séria condição clínica, precisei entrar na fila de transplante no fim de 2020, e para isso tive que fechar a minha clínica veterinária, vender meu carro e roupas e me mudar da Bahia para Porto Alegre onde seria realizado o transplante.

Meu quadro de saúde estava piorando, e eu tinha muito medo de não dar tempo de receber meus novos pulmões. Essa angústia e a preocupação de partir e deixar aqui os meus familiares, que tanto me amam, tomavam conta dos meus pensamentos.

Somado tudo isso à fila de espera por um órgão passou a ser desgastante e dolorosa. Eu ainda tinha que usar um cilindro de oxigênio, inclusive para tomar banho e para dormir, isso me deixava mais preocupada.

Até que no dia 27 de setembro de 2021, Dia nacional da Conscientização da Doação de Órgãos, recebi uma ligação às 2h58 da manhã. Meus pulmões chegaram. O pensamento positivo tomou conta de mim e da minha família.

Quando eu acordei da cirurgia, a primeira coisa que eu pensei foi: “Meu Deus, obrigada! Eu estou viva”. E mesmo com aquele desconforto, eu estava muito agradecida.

Pude abraçar minha família mais uma vez. Hoje estou aqui compartilhando minha história e posso respirar tãooo fundo e tão forte que eu fico admirada de quanto oxigênio cabe em nossos pulmões, eu não sabia disso antes.

Meu desejo é que ninguém sinta a falta de ar que senti, e que nunca precisem enfrentar a angustiante da fila de transplante, essa fila nos machuca por dentro e por fora.

Respirar fundo é maravilhoso, ficar sem tossir e sem secreção o dia todo é incrível. A doação de órgãos salvou a minha vida e pode salvar a sua um dia também. Para ser doador de órgãos, basta avisar sua família sobre seu desejo. É possível levantar esse tema na sua comunidade.

Marindia Cecchetti Lahm tem 31 anos, é Médica Veterinária, portadora de fibrose cística e transplantada bilateral de pulmão há 5 meses.

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