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ALGUÉM DOOU UMA PARTE DE ALGUÉM QUE AMAVA PARA MINHA FILHA- Por Giselly Alves

Alícia nasceu saudável e era uma criança ativa até 1 ano de idade.

Desde então começaram os choros quando deitava para dormir e as febres repentinas. Até o dia que brincando no quarto, ela foi ficando mole com um suor frio e pálida. Nesse mesmo instante, percebi que tinha alguma coisa errada. Consegui um encaixe de urgência com uma pediatra e aí começou nossa corrida contra o tempo.

Entrando no consultório da médica, logo de cara ela disse: “Essa menina não está respirando bem, ela abre as narinas para puxar o ar. Vai ficar internada!”

Foi constatado no primeiro exame que havia uma pneumonia, mas o que chamou atenção da médica foi o coração dilatado. Ela entrou no quarto e disse: “Vamos tratar uma pneumonia e vou dar alta em 3 dias para que vocês busquem um cardiopediatra em outra cidade urgente, o coração dela tá muito inchado”.

Deixamos nossa cidade, nossa vida, nossa família em busca de ajuda.

Exames e mais exames, veio então o diagnóstico de MIOCARDIOPATIA DILATADA e muitas medicações. Eu nunca poderia imaginar que nós ainda estávamos no começo de uma grande luta.

A primeira vez que eu ouvi a palavra “TRANSPLANTE” eu pensei que era o fim. Era algo tão distante que não tive esperança.

Com a certeza do diagnóstico, e sem nenhum resultado do tratamento com remédios, partimos para fila à espera de um coração. Era tanta incerteza, era tanto medo, era uma angústia dia e noite esperando o telefonema que mudaria nossas vidas.

Alícia entrou na fila de espera por um órgão em novembro de 2011 e o coração chegou em fevereiro de 2012. Um coraçãozinho perfeito, que até hoje, 10 anos depois do transplante, nunca nos deu trabalho.

Nada que eu faça será suficiente para agradecer à família do doador pela decisão tomada num momento tão delicado.

Se hoje eu posso ver o sorriso da minha filha e posso abraçá-la é porque, quando aquela mãe não pôde mais abraçar o seu filho, ela deixou sentimentos de lado e teve o maior ato de generosidade que alguém pode ter, doar uma parte de alguém que ela amava.

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