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VOCÊ TEM SEDE DE QUÊ? – Luma Eccel

Com esses dias quentes de verão fica impossível não lembrar dos momentos que passei enquanto aguardava na fila de espera por um rim compatível. Sendo os rins os órgãos responsáveis por filtrarem o sangue e eliminarem as toxinas através da urina, se eles param de funcionar, consequentemente, essa função para também e a pessoa não urina mais, ou, pelo menos, deixa de eliminar essas toxinas.

Quando estamos saudáveis, não paramos pra pensar na importância que os órgãos têm. Confesso que eu também não pensava muito nisso, até que os meus rins pararam totalmente de funcionar e a minha primeira lição foi: Se o líquido não sai ele fica em algum lugar!

Então, além de controlar toda alimentação para que nada ficasse em excesso no meu sangue, também era preciso controlar tudo o que eu ingeria de líquido. E quando eu falo “tudo”, estou contabilizando não apenas a água, os sucos, e os refrigerantes, mas inclusive o líquido que está presente nas comidas (fruta era quase que raridade passar pelo meu cardápio naquela época). A recomendação médica foi de ingerir no máximo 500ml de líquido por dia. E quem me conhece sabe porque sempre repito isto: Ficar sem beber foi um dos maiores “perrengues” dessa espera! Sentir a boca seca e não poder ter aquela sensação do “gut-gut” de uma água descendo geladinha pela garganta era quase que tortura!
Enquanto as pessoas passavam o verão brindando em festas, tomando tereré, chimarrão, sucos, eu tinha que dar meu jeito.

Chupava pedrinhas de gelo com gotas de limão, fazia bochecho com água gelada, escovava os dentes mil vezes por dia, entre outros truques para enganar a sede. E quem faz hemodiálise sabe que quanto mais bebemos, mais peso tem para tirar na próxima sessão e maior a probabilidade de passar mal.

Na minha lista de “coisas para fazer pós transplante”, havia itens como tomar suco de melancia, beber iogurte de saquinho, tomar um picolé de limão e pedir água de coco na praia. Após o meu transplante, uma das melhores sensações foi a de encher um copão de água e beber tudo de uma vez só e voltar a sentir o que não sentia por 2 anos e meio. Algo tão simples e ao mesmo tempo tão poderoso!

Meu doador fez isso por mim. Devolveu-me a oportunidade de sentir esses pequenos prazeres diários da vida, aquilo que geralmente costuma passar despercebido por quem nunca teve de viver com limitações.

Essas limitações ficaram para trás, mas posso dizer que a minha sede não terminou, porém hoje ela tem outro motivo. É a de lutar por quem também tem sede, por quem aguarda na fila de espera por um transplante e que diariamente tem sede de água, sede de vitória, sede de VIVER!

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