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MÃE! LUZ À VIDA E A DOAÇÃO PELA VIDA (Especial Dia das Mães) Por: Lívia Linck Sudbrack

MÃE. É difícil encontrar palavras que descrevam o significado e os sentimentos maravilhosos que ela traz para a minha vida.Desde sempre me deu amor incondicional e fez-me sentir completamente grata por tê-la comigo. Dizem que quando um filho nasce, com ele nasce uma mãe. No nosso caso, nós tivemos a oportunidade de renascermos quando ela deu-me a vida pela segunda vez.


Quando eu tinha 17 anos, meu mundo virou de cabeça para baixo: em um período de menos de uma semana, comecei a sentir-me mal e fui parar na emergência do hospital com meus rins comprometidos que já estavam entrando em falência. Após inúmeros exames durante uma internação hospitalar complicada e muito dolorosa, descobrimos que sou portadora de uma doença genética chamada Síndrome Hemolítico Urêmica Atípica (SHUA). Uma rara doença autoimune do sangue que levou 17 anos para manifestar-se e quando veio deixou como sequela os meus rins sem funcionarem e o transplante renal passou a ser a minha salvação.

Mas, o tão sonhado transplante não era uma realidade tão próxima para mim. Devido ao fundo genético da minha doença, ela tornaria-se ativa novamente quando eu recebesse o rim transplantado, isso seria um risco imenso e eu perderia o novo órgão. Precisei fazer hemodiálise durante nove anos esperando até o momento em que inventassem uma medicação que pudesse preparar o meu corpo para receber um novo rim.
Foram anos de incertezas (mas nunca deixamos de acreditar que esse momento chegaria) até o dia em que recebi a tão esperada notícia: uma nova medicação muito específica foi criada para a minha condição. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentei durante esses 9 anos, eu sempre me senti muito sortuda. Se fosse em outra época, até mesmo alguns anos antes, meu tratamento não seria muito viável. Quando a síndrome manifestou-se, a medicina já estava bastante evoluída.Minha família sempre esteve ao meu lado em todos os momentos, e embora a pior parte para mim foi vê-los padecer diante do meu sofrimento, a presença constante deles foi a minha fortaleza e a minha certeza. Minha mãe e eu sempre fomos muito conectadas e essa ligação tão profunda que temos fez com que nunca duvidássemos de que seriamos doador e receptor compatíveis, e era, 99% compatível comigo.

Ela sempre levou a saúde muito a sério. Controlava a alimentação, praticava exercícios físicos e fazia os exames de rotina. Entretanto, quando ficou sabendo da possibilidade de doar um de seus rins para mim, redobrou seus cuidados e a todo momento dizia-me: “Estou fazendo isso por ti, meu amor. Para te doar o rim mais saudável do mundo”. Ali eu entendi que ela esteve pronta para doar parte de si, literalmente.
Existe amor mais forte do que esse? Ela deu-me a vida duas vezes: no dia em que nasci e no dia que me doou o rim!

Eu renasci no dia 27 de abril de 2016. E por uma linda coincidência do destino um dia antes do aniversário dela. Passamos aquela madrugada em camas na sala de recuperação. Estávamos como sempre estivemos, lado a lado, nos momentos mais felizes e nos mais tristes. Nas incontáveis noites e dias em que ela dormia em uma cadeira ao meu lado no hospital, nas sessões de hemodiálise, na minha formatura e quando entrou comigo na igreja no dia do meu casamento. Graças a ela voltei a viver!
Minha mãe deu-me a vida pela segunda vez e com isso ganhei a honra de carregar para sempre uma parte dela comigo. Ela traz-me força e inspira-me todos os dias a apaixonar-me cada vez mais pela dádiva que é estar viva e viver plenamente. Mostrou-me que o amor é a maior força do universo, capaz de transformar qualquer dificuldade em ainda mais AMOR!


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