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DEPOIS DA TEMPESTADE, O ARCO-ÍRIS – por Paula Trottmann

Você já teve a sensação de que a vida está “boa demais”?

Minha aposta é que a maioria das pessoas diria que não. São muitos motivos que podem justificar essa resposta: dificuldades no casamento, problemas na família, contratempos no trabalho – ou até mesmo a falta dele – insatisfação com o próprio corpo, impasses na faculdade, apertos financeiros, enfim… toda a sorte de reveses que possa haver, afinal, eles são muitos mesmos.

São todos eles nossas ‘tempestades’ diárias, grandes ou pequenas.

Deixe-me contar uma coisa… Já há muito tempo, eu pensava que tendo saúde, “para todo o resto há jeito”, e graças a Deus sempre tive muita. Até que em poucos dias e três cirurgias de emergência, incluindo um transplante de fígado, mudaram irreversivelmente minha condição de saúde. Por algum tempo, a única “tempestade” que me afligiria de fato aconteceu, e isso me afetou profundamente. Foram dias, semanas, meses – não me lembro bem – que, mesmo ensolarados, pareciam prestes a revelar um grande aguaceiro.

E eu fui lançada em uma tempestade, e das grandes. Uma que não me permitia – mesmo que temporariamente – enxergar além das nuvens carregadas e lembrar que o sol continua lá. Eu sentia medo e insegurança sobre o futuro, sobre a minha vida. Mas o tempo passou. E me fez perceber que passar por tudo, requereu-me esforço – físico e psicológico – abdicação de incontáveis coisas prazerosas, alguns momentos de revolta e outros tantos de tristeza.

Depois desse tempo, ainda com os olhos cerrados, permiti-me lembrar que o sol continuava a existir, e que era uma questão de tempo até que eu pudesse vê-lo. Aos poucos, fui enxergando alguns raios e, quando eu menos esperei, não foi apenas o sol que eu vi, não.

Foi o arco-íris todo.

Mas eu só consegui admirar sua beleza justamente porque vivi a minha tempestade, e isso é um baita privilégio, é uma mudança de perspectiva. Quando algumas gotas de chuva – que são muitas nessa vida de transplantada – querem me deixar para baixo, é lá no “Rap da Felicidade” que busco minha força, e lembro a mim mesma que “sofri na tempestade, agora eu quero a bonança”.

E vamos viver, pois a vida é boa demais!

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